Pular para o conteúdo principal

Beneditinas 4


Tive muitos professores, e posso dizer, sem nenhuma dúvida, que Benedito Nunes foi o mais importante deles. Mais importante para mim, para a minha relação privada e pessoal com a estranheza do mundo. Ele corrigiu, no tempo hábil, meu existencialismo imaturo e reles – “Sartreano, sartreano!” ele acusou-o, uma vez, há uns 15 anos atrás, do fundo da sua poltrona, na Torre.
Seu julgamento a respeito de Sarte era severíssimo. A ponto de considerar que a  principal utilidade do ilustre filósofo era a de demonstrar, com seu próprio exemplo, os erros a que se pode chegar pela via metafísica do existencialismo – ou seja, quando a analítica existencial se deixa levar pelos enganos daquilo que a péssima tradução brasileira de Ser e Tempo denomina “pre-sença”.
Aliás, essa tradução parecia ser a pedra no sapato do velho mestre – uma opinião compartilhada por muitos mas ignorada por mim, infeliz de não saber alemão e que alcancei o Heidegger do céu de Benedito, depois de muito amargar tantas críticas à edição da Vozes, pela via de uma reprografia rôta em francês que, ainda por cima, continha o que me parece ainda ser um punhado de hieróglifos cabais feitos pelo primeiro proprietário do livro a que se fez copiar, recopiar e, mais uma vez, recopiar.
Meu Heidegger era quase transparente – no sentido não heideggeriano do termo. Quase um inexistente.
E não me protejeu da pecha sartreana.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Conjunturas I

Um amigo me pergunta se acho que Lula deve ser candidato a presidente, mesmo com a prisão. Respondo que sim, porque não tem sentido ser diferente. Lula não ser candidato seria de uma deslealdade imperdoável do PT para com ele. A pergunta, na verdade, respondo ao meu amigo, é sobre quem deve ser o vice de Lula, porque quase tão certo como Lula ser o candidato do PT, é a possibilidade de que a justiça eleitoral casse a sua candidatura, sendo lógico, nesse caso, que seu vice assuma a cabeça de chapa. E, como sabemos como o bloco golpista joga, eles provavelmente farão isso o mais tarde possível, procurando inviabilizar que o PT chegue ao segundo turno. Nesse cenário, a tendência é que o PT venha com uma chapa “puro-sangue”. Provavelmente com Haddad para vice. Eventualmente com Jacques Wagner ou Patrus Ananias e, um pouco menos provavelmente, com Celso Amorim. Meu amigo, que não é do PT, viu claros sinais de que Lula, naqueles momentos heróicos antes da prisão, te...

Solicitei meu descredenciamento do Ppgcom

Tomei ontem, junto com a professora Alda Costa, uma decisão difícil, mas necessária: solicitar nosso descredenciamento do Programa de pós-graduação em comunicação da UFPA. Há coisas que não são negociáveis, em nome do bom senso, do respeito e da ética. Para usar a expressão de Kant, tenho meus "imperativos categóricos". Não negocio com o absurdo. Reproduzo abaixo, para quem quiser ler o documento em que exponho minhas razões: Utilizamo-nos deste para informar, ao colegiado do Ppgcom, que declinamos da nossa eleição para coordená-lo. Ato contínuo, solicitamos nosso imediato descredenciamento do programa.     Se aceitamos ocupar a coordenação do programa foi para criar uma alternativa ao autoritarismo do projeto que lá está. Oferecemos nosso nome para coordená-lo com o objetivo de reverter a situação de hostilidade em relação à Faculdade de Comunicação e para estabelecer patamares de cooperação, por meio de trabalhos integrados, em grupos e projetos de pesquisa, capazes de...

A publicidade governamental do Governo Jatene, a Griffo, o jornalismo paraense...

Há alguns dias a jornalista Ana Célia Pinheiro, do blog A Perereca da Vizinha  anunciava que começaria uma guerra contra a comunicação do Governo Jatene :  Vamos agora jogar num rítmo novo, com algumas “surpresinhas” – ou vocês não gostam de surpresinhas, “coleguinhas”? “Coleguinhas” é um coloquialismo usado pelos jornalistas de Belém para se referirem, com cinismo, ao cinismo de seus colegas, dos quais não se costuma esperar senão o fogo amigo. Os posts começaram, em seguida, construindo  um perfil de Orly Bezerra , proprietário da Griffo, a agência de publicidade responsável pelo marketing do PSDB no Pará. Hoje, Ana Célia Pinheiro publicou  um post com o levantamento dos repasses de dinheiro público do Governo Jatene para a Griffo : R$ 70 milhões - e penduricalhos, como empregos a parentes. O post também questiona a idoneidade do processo licitatório que levou a Griffo a mais uma situação de dominação das contas da comunicação governamental, no Pará...