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Os temas da identidade e da cultura no debate sobre a divisão do Pará 15

Continuação do texto



V. A idéia de comunidade como núcleo central das representações da divisão do Pará.
A partir do discutido é possível perceber que há quatro discursos, efetivamente, na disputa pela divisão do Pará. Três deles, penso, constituem formações discursivas positivas, afirmativas: os discursos que defendem a criação do Tapajós e do Carajás e o discurso que é favorável à manutenção da integridade do Pará mas que se baseia numa idéia conservadora e hierárquica: a pauta discursiva do “Pará grande”. O quarto discurso é o do Pará inteiro, mas sem delírios conservadores, ou melhor, sem pretender-se hierarquicamente enquanto processo cultural, econômico, político, social, centrado na capital. Trata-se do discurso mais democrático a favor do Pará inteiro, o qual discutimos, aqui, como a possibilidade mais viável para o bem comum e para o interesse público da população e, ao mesmo tempo, mais estratégico para a coerência e para peso do estado na federação brasileira.
Os três primeiros discursos, na sua positividade, se constroem como discurso, simplesmente, “pró”: pró divisão, pró manutenção. O único discurso efetivamente “contra”, ou seja, que realmente propõe um Pará renovado, recentrado, é o que discute a manutenção da unidade federada com base em alguma repactuação de interesses e reelaboração de identidade.
Obviamente que, na disputa política, essa minúcia discursiva é, simplesmente, obscurecida pelas ordens, pelas verbalizações do pró-divisão e do contra-divisão. Portanto, trata-se de uma percepção mais a fundo da questão que só conseguimos vislumbrar quando procuramos localizar sua profundidade discursiva ou, tecnicamente falando, o núcleo central da representação social.
Núcleo central é o centro motivacional das formas ideológicas. O núcleo central das representações sociais que definimos como representações do “pró” consistem, pensamos, na afirmação de um mito comunal que resulta num campo simbólico sempre afirmativo, pacificador de todo conflito, simplificador de toda diferença. Esse campo simbólico permite desenvolver o núcleo central por meio de noções como família, comunidade, identidade, cultura, união.

Continua

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