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Os temas da identidade e da cultura no debate sobre a divisão do Pará 17

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E qual a diferença entre comunidade e sociedade? A comunidade é, na verdade, um mito. Ela somente existe como um modelo referencial para a sociologia. Um modelo porque toda a história da sociologia consiste na verificação prática de que os processos da modernidade resultam numa complexidade social que coloca à prova, necessariamente, esse processo comunal hipotético. O seu contrário, a sociedade, resulta na única construção material plausível e possível.
Penso que o futuro do Pará, unido ou dividido, passa, na verdade, pela noção de sociedade. O Pará é uma comunidade impossível. Com sua complexidade, com sua diversidade econômica e social e, sobretudo, com seu processo histórico repleto de conflitos gerados por interesses coloniais, todos eles ainda sem solução, me parece absolutamente impossível pensar em meu estado como uma comunidade.
Ou constrói-se um projeto de sociedade, ou se terá uma sociedade sem projeto e, pior, acreditando-se dividida em projetos díspares e equivocados de comunidade. Dividido ou unido, será preciso reinventar o Pará.
No entanto, as condições de produção de um projeto de sociedade são bastante diferenciadas nas duas condições – menor, certamente, num Tapajós ou num Carajás, ou mesmo num Pará remanescente da divisão, de que num estado maior, com peso político e social mais significativo na união federal brasileira.
Continua

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