Pular para o conteúdo principal

7 Notas rápidas sobre as gravações de Romero Jucá

1.
As gravações de Romero Jucá provam, sobretudo, que a Procuradoria Geral da República e o Supremo Tribunal Federal (STF) tinham conhecimento e pactuavam com o desvio de finalidade do processo de impeachment.
Ou seja: sabiam que era golpe, sim!
E apoiavam o golpe. Pois nada fizeram. Sabiam e nada fizeram.
Se a gravação tivesse sido divulgada antes, Dilma não teria sido deposta e a República não teria sido usurpada.

2.
Tudo isso, a fundo, é apenas um golpe dentro do golpe. O novo golpe está sendo dado por uma parte do PSDB que pretende fragilizar o PMDB, se livrar de Aécio e construir a candidatura de Serra.
Aécio é indefensável e vai ser degolado, mais cedo ou mais tarde, pela Lava Jato. O PMDB é visto pelo PSDB como a sua alavanca para tomar o poder, apenas. Serra, historicamente desprezado por FHC, foi por ele - e pela Folha de São Paulo, em editorial publicado no domingo - saudado como "estadista”.

3.
Outro efeito da gravação de Jucá é aumentar ainda mais a desmoralização do STF. O Supreminho se apequena cada vez mais. Às custas disso, Gilmar Mendes, politicamente, ganha mais poder.

4.
Pode-se falar mal do republicanismo excessivo de Dilma, mas o desespero intestinal exposto na gravação de Jucá apenas prova o que sempre se soube e que a direita golpista sempre evitou falar: que apenas Dilma garantia a Lava Jato. 
Nem Janot, nem o Supreminho, nem o Moro(lista) e nem o Congresso têm poder ou força política para manter a Lava Jato. O golpe foi dado, também, para contê-la.

5.
As declarações de Jucá são translúcidas. As tênias vomitadas se contorcem no chão. O país está chocado. Os apoiadores do golpe, talvez, ainda não sintam vergonha de apoiar esses políticos, mas algo mudou.
Precisamos explorar suas idiossincrasias e fazê-los perceber o erro terrível, histórico, que cometem ao apoiarem o governo Temer.

6.
Claro fica a inocência de Dilma em todo o processo. Claro fica o golpismo e o cinismo de todos os políticos que aprovaram seu afastamento, tanto na Câmara como no Senado. Dilma deveria ser trazida imediata e rapidamente ao Planalto. Essa corja sim é que deveria ser afastada – e presa.
A hora é da reforma política. Uma reforma política centrada na manutenção da interdição do financiamento privado de campanhas, na valorização dos partidos sobre as pessoas e os nomes, no voto em lista, na reformulação do pacto federativo, na valorização da democracia direta e na reforma completa do STF.

7.
O STF deveria ser reformado, sim. A gravação de Jucá confirma sua vulnerabilidade, seu partidarismo e seu conspiracionsimo.
Juízes devem ser eleitos por voto direto da população e por mandatos. E, sim, devem obedecer à Constituição.



Comentários

Anônimo disse…
Análise interessante. A ideia do golpe dentro do golpe é assustadora, mas dá bem a ideia do que está acontecendo e de como essa gente é sem limites...
André Maués disse…
O senador Romero Jucá é um delinquente e o STF - o "supreminho", como você diz - é hoje uma instituição completamente sem credibilidade. PSDB e PMDB já deixaram de ser partidos políticos para se tornarem instituições conspiradoras. Rede Globo e toda a mídia brasileira não são órgãos de imprensa, mas máquinas ideológicas. Tudo é farsa no Brasil. O golpe é a farsa do impeachment.
Unknown disse…
😳 é uma lástima incontrolável! Só pela chuva de granito!😂
Anônimo disse…
Esse foi mais um deboche desse processo tenebroso, o outro escárnio do dia foi o tal Ministro da Educação, Mendonça Filho (DEMonios), recebendo o Alexandre Frota em seu gabinete.Pasmem! O ator disse que foi levar propostas para a educação do país, entre elas a proposta de “tirar a doutrinação ideológica das escolas”. Será que a Democracia aguenta tanta porrada!

Postagens mais visitadas deste blog

Solicitei meu descredenciamento do Ppgcom

Tomei ontem, junto com a professora Alda Costa, uma decisão difícil, mas necessária: solicitar nosso descredenciamento do Programa de pós-graduação em comunicação da UFPA. Há coisas que não são negociáveis, em nome do bom senso, do respeito e da ética. Para usar a expressão de Kant, tenho meus "imperativos categóricos". Não negocio com o absurdo. Reproduzo abaixo, para quem quiser ler o documento em que exponho minhas razões: Utilizamo-nos deste para informar, ao colegiado do Ppgcom, que declinamos da nossa eleição para coordená-lo. Ato contínuo, solicitamos nosso imediato descredenciamento do programa.     Se aceitamos ocupar a coordenação do programa foi para criar uma alternativa ao autoritarismo do projeto que lá está. Oferecemos nosso nome para coordená-lo com o objetivo de reverter a situação de hostilidade em relação à Faculdade de Comunicação e para estabelecer patamares de cooperação, por meio de trabalhos integrados, em grupos e projetos de pesquisa, capazes de...

Eleições para a reitoria da UFPA continuam muito mal

O Conselho Universitário (Consun) da UFPA foi repentinamente convocado, ontem, para uma reunião extraordinária que tem por objetivo discutir o processo eleitoral da sucessão do Prof. Carlos Maneschy na Reitoria. Todos sabemos que a razão disso é a renúncia do Reitor para disputar um cargo público – motivo legítimo, sem dúvida alguma, mas que lança a UFPA num momento de turbulência em ano que já está exaustivo em função dos semestres acumulados pela greve. Acho muito interessante quando a universidade fornece quadros para a política. Há experiências boas e más nesse sentido, mas de qualquer forma isso é muito importante e saudável. Penso, igualmente, que o Prof. Maneschy tem condições muito boas para realizar uma disputa de alto nível e, sendo eleito, ser um excelente prefeito ou parlamentar – não estou ainda bem informado a respeito de qual cargo pretende disputar. Não obstante, em minha compreensão, não é correto submeter a agenda da UFPA à agenda de um projeto específico. A de...

Genocídio Yanomami: Bolsonaro não pode escapar

O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime.  Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA  mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita.  O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....