Li a
notícia de que o Jornal Brasil voltou a circular, na versão impressa, nas
bancas do Rio de Janeiro. A notícia é agradável e surpreendente para quem gosta
de bons jornais, para quem não tem mais nada para ler nos jornais que circulam
hoje e para quem ainda acredita que o jornalismo tem uma função social que não
é meramente instrumental. O JB foi escola e deixou uma contribuição gigantesca
na vida social e cultural brasileira. Quando ele deixou de circular, oito anos
atrás, muitos (eu inclusive) tivemos impressão de que a batalha do jornalismo
estava perdida – porque, convenhamos, o jornalismo independente e de guerrilha,
fundamental e imprescindível, não tem as armas que uma empresa jornalística de
porte mais robusto e meios mais convencionais tem, em termos de penetração no
imaginário social. A princípio, fico contente. Recupero um pouco da fé que a
gente vai perdendo, hoje em dia, todo dia. Porém, acabo lendo que o velho JB,
embora independente e pertencente a um sujeito que se diz “brizolista”, está
sendo impresso nas oficinas de O Globo e distribuído pelos caminhões de O
Globo. Tempos estranhos...
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....
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