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Temer acaba com o fundo nacional soberano. Por quê e para quem?


Assim são as coisas em tempos de governo ilegítimo: repentinamente, por medida provisória, se extingue o Fundo Soberano do Brasil (FSB). A Medida Provisória (MP) 830/2018 o faz, transferindo os recursos do Fundo (R$ 26,5 bilhões) para o Tesouro Nacional, de onde serão usados para o pagamento da dívida pública federal.
Esse dinheiro deveria servir ao desenvolvimento e ao lastro financeiro do país perante a comunidade internacional. É nessa função que tem um papel decisivo. Usa-lo para pagar a dívida pública é uma medida insignificante, que só privilegia os especuladores. Mesmo porque o FSB não chega sequer a pagar 7% dessa dívida, atualmente calculada em R$ 3,6 trilhões.
O FSB foi criado em dezembro de 2008, depois da quebra do banco norte-americano Lehman Bothers e no contexto da crise financeira internacional. Foi criado receber os recursos oriundos da exploração do pré-sal. Trata-se de uma estratégia de defesa da soberania nacional, adotada, nesse momento, por muitos países.
O primeiro fundo soberano nacional foi o da Noruega, criado em 1976. No ano passado esse fundo chegou a um trilhão de dólares, maior que o PIB, de 516 bilhões de dólares. Logo em seguido os Estados Unidos criaram o seu, que hoje possui 40 bilhões de dólares. O do Canadá, criado em 1999 já tem 119 bilhões de dólares. O da Rússia, de 2004, tem 158 bilhões de dólares. O da China, de 2007, tem hoje 2 trilhões de dólares.
Os fundos soberanos nacionais constituem um mecanismo de defesa dos interesses do Estado e da soberania da nação face ao Mercado e ao grande capital. Esses fundos lastreiam a ação do Estado diante do mercado financeiro, ajudando os países a enfrentar crises e ataques especulativos de investidores inescrupulosos.
Acabar com o SSB é mais uma insânia do governo golpista de Temer. Mais um ataque ao patrimônio público e aos interesses nacionais. A medida fragiliza ainda mais o país, deixando a economia brasileira muito mais suscetível ao capital fiunanceiro e aos interesses internacionais.

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