Pular para o conteúdo principal

Expulsar Bolsonaro é lutar pela vida, pela inteligência e pelo direito à solidariedade

O principal signo de que alguém é ignorante, burro, idiota e imbecil é o binarismo. A prática de reduzir o mundo a equações do tipo “ou... ou...” constitui a quintessência do sofismo e, ao mesmo tempo, da asnice pura. Essas coisas do tipo branco ou preto, doente ou saudável, nacional ou estrangeiro, mulher ou homem, dentro ou fora, falso ou verdadeiro, ciência ou ficção e até mesmo esquerda ou direita nunca deram conta de expressar a riqueza, a diversidade e a complexidade da vida social.
Por que estou dizendo isso? Só para dizer que o bolsonarismo é, fundamentalmente, binarista.
Essa conversa que tende a opor saúde pública a economia é ridícula e não deixa de ser impressionante como tem gente ainda cai nesse papinho. De jornalistas a economistas, de gente “séria” a gente “doida”. O fato é que o bolsonarismo produz falsos dilemas. Para fazê-lo, quando na falta de um polo opositor, inventa inimigos quiméricos: do marxismo ocidental ao deus-mercado.
Politizar binariamente essa epidemia serve apenas para manter mobilizada a horda bolsonarista, que só é capaz de raciocinar, minimamente, através de polarizações.
O vírus expõe perfeitamente as contradições do bolsonarismo. Para combatê-lo é preciso ciência e solidariedade, duas coisas que o ferem de morte. A ciência, porque nega o antiintelectualismo e o terraplanismo dessa horda. A solidariedade, porque nega seu princípio de exclusão, sua necropolítica e a necessidade de agir coletivamente para vencê-lo.
Ciência e solidariedade são duas coisas que não se acomodam ao binarismo.
Expulsar Bolsonaro é lutar pela vida, pela inteligência e pelo direito à solidariedade.
#ForaBolsonaro
Fábio Fonseca de Castro, professor da UFPA.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A publicidade governamental do Governo Jatene, a Griffo, o jornalismo paraense...

Há alguns dias a jornalista Ana Célia Pinheiro, do blog A Perereca da Vizinha  anunciava que começaria uma guerra contra a comunicação do Governo Jatene :  Vamos agora jogar num rítmo novo, com algumas “surpresinhas” – ou vocês não gostam de surpresinhas, “coleguinhas”? “Coleguinhas” é um coloquialismo usado pelos jornalistas de Belém para se referirem, com cinismo, ao cinismo de seus colegas, dos quais não se costuma esperar senão o fogo amigo. Os posts começaram, em seguida, construindo  um perfil de Orly Bezerra , proprietário da Griffo, a agência de publicidade responsável pelo marketing do PSDB no Pará. Hoje, Ana Célia Pinheiro publicou  um post com o levantamento dos repasses de dinheiro público do Governo Jatene para a Griffo : R$ 70 milhões - e penduricalhos, como empregos a parentes. O post também questiona a idoneidade do processo licitatório que levou a Griffo a mais uma situação de dominação das contas da comunicação governamental, no Pará...

Solicitei meu descredenciamento do Ppgcom

Tomei ontem, junto com a professora Alda Costa, uma decisão difícil, mas necessária: solicitar nosso descredenciamento do Programa de pós-graduação em comunicação da UFPA. Há coisas que não são negociáveis, em nome do bom senso, do respeito e da ética. Para usar a expressão de Kant, tenho meus "imperativos categóricos". Não negocio com o absurdo. Reproduzo abaixo, para quem quiser ler o documento em que exponho minhas razões: Utilizamo-nos deste para informar, ao colegiado do Ppgcom, que declinamos da nossa eleição para coordená-lo. Ato contínuo, solicitamos nosso imediato descredenciamento do programa.     Se aceitamos ocupar a coordenação do programa foi para criar uma alternativa ao autoritarismo do projeto que lá está. Oferecemos nosso nome para coordená-lo com o objetivo de reverter a situação de hostilidade em relação à Faculdade de Comunicação e para estabelecer patamares de cooperação, por meio de trabalhos integrados, em grupos e projetos de pesquisa, capazes de...

Genocídio Yanomami: Bolsonaro não pode escapar

O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime.  Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA  mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita.  O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....