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Sobre a reindustrialização

Já sabemos que um dos compromissos fundamentais do novo governo Lula é com a reindustrialização do país. O tema esteve presente no discurso de posse, no discurso do púlpito e nas sucessivas falas do presidente. 

O que isso significa? Investir na recomposição do parque industrial brasileiro. 

A produção industrial brasileira está em franca queda. De acordo com dados do IBGE/Iedi, a produção industrial de dezembro de 2022 estava no mesmo patamar que a de novembro de 2009. Uma queda de 18,5%. Alguns setores mostram uma queda mais acentuada, notadamente a indústria de bens de consumo duráveis, que só no ano passado regrediu em 3,2%. Isso representa redução de empregos, redução de exportações e perda na qualidade dos bens produzidos. 

A indústria de transformação, que é a que mais gera valor adicionado, está se modificando intensamente nos últimos anos. Entre 2005 e 2021 a China passou a dominar o mercado mundial, passando de 13,26% para 30,45%. Quase o dobro dos Estados Unidos, que viram sua capacidade industrial decrescer de 22,68% do comércio mundial para 16,76%, hoje. O Brasil apresenta uma redução indefectível da sua capacidade industrial. No mesmo período regrediu de 2,20% para 1,28%, valor inferior à participação de Taiwan no comércio mundial, conforme a tabela abaixo:

Quais os compromissos essenciais de uma política de reindustrialização? 

Primeiramente, a sustentabilidade. Ao mesmo tempo, a geração de empregos formais. Em paralelo, o fortalecimento dos bancos públicos de investimento, condição para toda reindustrialização. 

Como pode ser feito? 1) Identificar as potencialidades territoriais locais, naqueles setores onde o país tem capacidades internas já constituídas. 2) Olhar para a cena geopolítica, percebendo e maximizando as potencialidades que surgem. 3) Apostar na complexidade tecnológica, estimulando fortemente a consolidação de nichos por meio da pesquisa em C&T. 4) Projetar competitividade, através de uma diplomacia mais agressiva. 

Quais os cenários mais interessantes? 1) Fertilizantes, substituindo a margem de 65% das importações nacionais nesse setor. 2) Semicondudores, de olho na demanda latino-americana. 3) saúde, setor industrial onde temos acúmulo, de olho nas trocas sul-sul. 4° Vestuário, outro setor de tradição que perdeu muito espeço nos último anos, mas igualmente com olhar para o sul global.

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