Todos sabemos que os paraenses vão ao Ceará para banhos de mar e para a compra de panos e artefatos conexos. Alguns vão também visitar parentes, já que, como também sabemos, as relações familiares entre estes dois estados são antigas e valiosas. Eu, por mim, vou porque tenho amigos. Até gosto de banhos de mar, ainda que não suporte sol forte e praia cheia de gente, mas odeio fazer compras, sobretudo de panos. Vou ao Ceará, como disse, porque tenho amigos. Marina, minha esposa, assinalou-me isso enquanto estávamos almoçando, com amigos, no “Bar do Ciço”. Disse-me que eu tinha ali o que não tenho mais em Belém: o bater papo descompromissado e descontraído, sem precisar chegar a algum lugar ou a alguma conclusão. É, de fato, sem desejar generalizar e falando apenas de minha experiência, as possibilidades de diálogo que venho tendo, em Belém, há muitos anos, são excessivamente limitadas. De um lado, espécimes de uma elite rentista e inculta, sempre preconceituosos e ignorantes, obscureci...
Fábio Fonseca de Castro - Fábio Horácio-Castro - fabiofonsecadecastro.org fabiohoraciocastro.com