Pular para o conteúdo principal

Dicas para o mestrado em Comunicação 3

Porfim, uma dica, digamos assim, "processual", a respeito da coerência do seu projeto.

Lembre-se: se você quer fazer um mestrado, tem que considerá-lo não como um fim em si mesmo, mas como parte de um percurso acadêmico. Na hora da entrevista, a banca vai tentar perceber isso. Se o mestrado for apresentando, por você, como algo meio mágico, como uma panacéia para a sua carreira (e isso é muito comum) você está fora. Ou seja, é preciso pragmática: mostre o mestrado como uma etapa – e, portanto, esclareça sobre o passo que você deu antes dele e sobre o passo que dará depois dele. Mostre um projeto. Por isso é muito importante demonstrar interesse prévio pela pesquisa científica: é importante ter participado de congressos, simpósios e seminários. É importante ter apresentado trabalhos nos congressos da área da comunicação. Se possível, é importante ter feito uma especialização. E, é claro, é importante ter participado dos Grupos de Pesquisa do Programa e ter assistido aulas no Programa. E isso é possível: você pode se matricular como ouvinte nas disciplinas e acompanhá-las. Isso é um sinal claro, para a banca, do seu interesse pelo Programa. Mas não vale abandoná-las... sinal negativo.
Um processo seletivo é um jogo de sinais. Você tem que emitir para a banca sinais claros, objetivos e precisos de que: tem compromisso; tem responsabilidade; não é doido nem perturbado; vai defender sua dissertação em, no máximo, 24 meses (e se possível em 18); é capaz de objetividade e de síntese; tem um objeto de investigação socialmente importante; tem um projeto exeqüível; conhece o debate epistemológico sobre a comunicação; tem disposição para um volume grande (talvez imenso) de leituras; tem disponibilidade de tempo para seguir os cursos, produzir como um louco (sem o ser, efetivamente), fazer a pesquisa e escrever muito.


Veja também:

Dicas para o mestrado em Comunicação 1

Comentários

Augusto Nascimento disse…
Professor, como faço para me metricular como ouvinte?
hupomnemata disse…
Augusto, se informe na secretaria do programa, no prédio do ILC, UFPA.

Postagens mais visitadas deste blog

Conjunturas I

Um amigo me pergunta se acho que Lula deve ser candidato a presidente, mesmo com a prisão. Respondo que sim, porque não tem sentido ser diferente. Lula não ser candidato seria de uma deslealdade imperdoável do PT para com ele. A pergunta, na verdade, respondo ao meu amigo, é sobre quem deve ser o vice de Lula, porque quase tão certo como Lula ser o candidato do PT, é a possibilidade de que a justiça eleitoral casse a sua candidatura, sendo lógico, nesse caso, que seu vice assuma a cabeça de chapa. E, como sabemos como o bloco golpista joga, eles provavelmente farão isso o mais tarde possível, procurando inviabilizar que o PT chegue ao segundo turno. Nesse cenário, a tendência é que o PT venha com uma chapa “puro-sangue”. Provavelmente com Haddad para vice. Eventualmente com Jacques Wagner ou Patrus Ananias e, um pouco menos provavelmente, com Celso Amorim. Meu amigo, que não é do PT, viu claros sinais de que Lula, naqueles momentos heróicos antes da prisão, te...

Solicitei meu descredenciamento do Ppgcom

Tomei ontem, junto com a professora Alda Costa, uma decisão difícil, mas necessária: solicitar nosso descredenciamento do Programa de pós-graduação em comunicação da UFPA. Há coisas que não são negociáveis, em nome do bom senso, do respeito e da ética. Para usar a expressão de Kant, tenho meus "imperativos categóricos". Não negocio com o absurdo. Reproduzo abaixo, para quem quiser ler o documento em que exponho minhas razões: Utilizamo-nos deste para informar, ao colegiado do Ppgcom, que declinamos da nossa eleição para coordená-lo. Ato contínuo, solicitamos nosso imediato descredenciamento do programa.     Se aceitamos ocupar a coordenação do programa foi para criar uma alternativa ao autoritarismo do projeto que lá está. Oferecemos nosso nome para coordená-lo com o objetivo de reverter a situação de hostilidade em relação à Faculdade de Comunicação e para estabelecer patamares de cooperação, por meio de trabalhos integrados, em grupos e projetos de pesquisa, capazes de...

A publicidade governamental do Governo Jatene, a Griffo, o jornalismo paraense...

Há alguns dias a jornalista Ana Célia Pinheiro, do blog A Perereca da Vizinha  anunciava que começaria uma guerra contra a comunicação do Governo Jatene :  Vamos agora jogar num rítmo novo, com algumas “surpresinhas” – ou vocês não gostam de surpresinhas, “coleguinhas”? “Coleguinhas” é um coloquialismo usado pelos jornalistas de Belém para se referirem, com cinismo, ao cinismo de seus colegas, dos quais não se costuma esperar senão o fogo amigo. Os posts começaram, em seguida, construindo  um perfil de Orly Bezerra , proprietário da Griffo, a agência de publicidade responsável pelo marketing do PSDB no Pará. Hoje, Ana Célia Pinheiro publicou  um post com o levantamento dos repasses de dinheiro público do Governo Jatene para a Griffo : R$ 70 milhões - e penduricalhos, como empregos a parentes. O post também questiona a idoneidade do processo licitatório que levou a Griffo a mais uma situação de dominação das contas da comunicação governamental, no Pará...