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Chamada para a aula de 6 de abril

Seminário permanente de Sociomorfologia Tema: Flâneries contemporâneas: vagabundagens iniciáticas na pós-modernidade. Resumo: É bem conhecido o tema do flâneur – o personagem emblemático da modernidade, discutido por W. Benjamin – mas pouco se reflete sobre o destino desse personagem, bem como da flânerie, na contemporaneidade das grandes cidades. Poderia, a figura do flêneur, ser simplesmente transferida para as metrópoles contemporâneas ou ela estaria associada, definitivamente, ao período histórico tematizado por Benjamin? O seminário procura apresentar uma hipótese de trabalho considerando a questão: o flâneur, na metrópole contemporânea, teria sido substituído pelo “viajante metropolitano”, o indivíduo que pratica, cotidianamente, uma transumância entre a periferia e o centro da metrópole, ou seja, entre seus lugares de residência, trabalho e lazer. Os boulevards corresponderiam às atuais linhas de metrô, trens urbanos e auto-estradas e as galerias e vitrines encontrariam uma corr...

Seminário permanente de Sociomorfologia

Reunião do dia 16/03/2005 Tema: As representações sociais. Representações sociais são construções sociais do pensamento: a maneira como as pessoas, individualmente ou em grupo, conhecem e instrumentalizam o mundo. O termo tem sua origem na sociologia durkheimiana, que fala em simbolismo social, idealizações coletivas. Seu uso moderno foi elaborado pelo sociólogo francês Serge Moscovici. De acordo com Moscovici, as representações sociais consistem em “Conjuntos dinâmicos de teorias ou de ciências coletivas sui generis, destinadas à interpretação e à descrição do real. (...) Um corpus de temas, de princípios, tendo uma unidade e se qplicando a zonas, de existência e de atividade, particulares (que) determinam o campo das comunicações possíveis, dos valores ou das idéias presentes nas visões partilhadas pelos grupos e que regem, a partir de então, as contudas desejáveis e admissíveis”. Essas ciências coletivas estabelecem-se em função da ação social, possuindo, por isso, um caráter prátic...

Sex’nd’pop

Que relação entre o pop e o sexo ? A quanto posso lembrar, Elvis Presley se tornou um mito porque fazia um pequeno e sugestivo movimento dos quadris, enquanto interpretava suas primeiras baladas, ainda nos anos 1950. . Ora, outros movimentos, igualmente sugestivos, fizeram a fama de Madonna. De Presley a Madonna há uma distância breve, que inclui o pop negro americano, as boys bands inglesas e o hip-hop gay. Elvis (Pélvis, para alguns) iniciou essa relação com uma cançãozinha piegas: “Treat me like a fool”. O segundo passo foi dado pelos músicos negros americanos, notadamente Chuck Berry e Little Richard – “Tutti-frutti”. O terceiro, e decisivo, por Mike Jagger, que refundou a figura da androgenia e demarcou a todas as posturais musicas – e sexuais – da “swinging London” dos anos 1960. Não longe desses códigos, é preciso citar Hendrix e Joplin, que construíram suas imagens sociais centradas no mito da relação entre seus dons musicais e suas habilidades sexuais. Não obstante seu talento...

Ludwig 5 horas

Ludwig é uma espécie de filme museu, com reserva técnica e que precisa de visita guiada. A versão alemã, original, de 1983, tem 2h10. A inglesa, de 1995, tem 3 horas. Vai estrear a versão italiana: 5 horas de duração. Quando o filme foi lançado, Visconti já tinha morrido (em 1976). Vai saber o que estava na sua mente. Esta última versão tem uma aura de “verdadeira”, porque é italiana, talvez; ou porque foi montada por Ruggerio Mastroiani e Sus d’Amico, montador e roteirista célebres e que conviveram com o mestre. Quando possível, a veremos de bom grado, talvez com o prazer de acompanhar as novidades provindas da reserva técnica desse filme museu. Quando o vi, em vídeo, achei o melhor filme de Visconti. Hoje não acho mais. Prefiro Senso – e já preferi O Leopardo, também, por sinal. Porém, aguardo para ver a nova versão, e como quem vai ao museu. Viscontianos, ainda um pequeno esforço... Ainda defendo a tese de que V. é um cineasta que fala das fronteiras: das fronteiras de época, de cla...

Puschkin e suas razões

. Inicio a correção de redações do vestibular. Chove muito e o trabalho é estafante. Somos 25 professores na banca, felizmente dois amigos sentados proximos: Livia e Otacilio. Uma incompreensivel vontade de ler (a tudo, mesnos a redações) me ocupa o espirito desde que entro na sala. E isso todos os dias. E compreensivel. Leio O Cavaleiro de Bronze.

Puschkin

O CAVALEIRO DE BRONZE Conto de Petersburgo . INTRODUÇÃO Na margem das ondas desertas Cismava ele uma alta ideia, Olhando o longe. Em frente as águas Corriam, largas mísera barca Sulcava o rio solitária. Negrejavam izbás pelas abas Musguentas e empantanadas, Couto do finês indigente; E as brenhas, virgens dos raios Do sol oculto na neblina, A toda a volta restolhavam. Cismava ele: Será aqui erguida uma cidade Para arremeter o Sueco, Ai do vizinho emproado. Destinou-nos a natureza Rasgar aqui uma janela Para a Europa, os pés fincar À beira-mar. Pelas ondas novas Singrarão todas as bandeiras E ao largo iremos festejar. Cem anos correram e ergueu-se Da lama e do brejo escuro A urbe moça, em fausto e orgulho, Da meia-noite a maravilha; Onde o fínico pescador, Triste enteado da natura, Sozinho nas ribas avaras, Dantes lançava as redes gastas Às obscuras águas, hoje Pelas vivas margens fervilhantes Montoam-se esbeltos gigantes De palácios e torres; barcos Do mundo inteiro em chusma Acorrem ao...

Programação de atividades em 2005

Atividades de pesquisa Projeto Fontes para uma crítica da identidade Projeto A representação mediática da identidade amazônica Projetos de TCC, monografias e dissertações. Cursos de extensão Oficina de metodologia e elaboração de projetos de pesquisa em estudos mediáticos e culturais Começo das inscrições: 1/3/2005 Início do curso: 19/3/2005 Carga horária: 20 h Curso on-line Teoria da Pós-Modernidade Começo das inscrições: 1/3/2005 Início do curso: 8/4/2005 Carga horária: 20 h Curso on-line Sociologia da Obra de Arte Começo das inscrições: 9/8/2005 Início do curso: 10/9/2005 Carga horária: 20 h Atividades didáticas Seminário Permanente de Sociomorfologia · Realizado uma vez por mês, às quartas-feiras, em horário a ser definido. · Programação do primeiro semestre: o 23/3/2005 – Flânneries contemporâneas: vagabundagens iniciáticas na pós-modernidade. o 27/04/2005 – O tema do eterno retorno nas artes triviais contemporâneas. o 15/06/2005 – Fotografias de família: representações sociais da...

Alfred SCHÜTZ

1899-1959. Schutz nasceu em Viena, a 13 de abril de 1899. Aos dezoito anos, apenas terminado o Liceu, foi enviado ao campo de batalha, na fronteira italiana. O retorno doloroso a um império em crise obrigou-o a escolhas pragmáticas : os estudos de direito, os quais conclui ao final de 1921 e um emprego de consultoria bancária substituem os projetos anteriores, aleatórios, de se tornar maestro de orquestra ou escritor. Não obstante, sua carreira no banco decola. Com efeito, havia-se especializado em direito internacional na faculdade, o que lhe permitiu produzir relatórios e análises sobre a situação econômica da Europa central e colaborar na seção de economia do jornal Neue Freie Presse. Foi contratado pelo banco privado Reitler em 1929, passando a viajar permanentemente pelo continente, construindo uma reputação sólida de analista econômico. Porém, esse crescimento seguro de sua vida profissional era margeado pela subida ao poder do nazismo e do anti-semitismo, bem como pela crise eco...

Martin HEIDEGGER

. 1889-1976. Sua filosofia surge no contexto do sentimento de vacuidade que tomou a sociedade ocidental após a Primeira Grande Guerra. Heidegger pode ser visto como o intérprete de uma situação de angústia, mas, também, como o apóstata da urgência de renovação. Essa renovação pode ser compreendida como uma revisão rigorosa da história da filosofia e como o estabelecimento do primado do “mundo da existência” – do mundo da vida – sobre o mundo metafísico das essências – repudiado por Heidegger como uma prisão para o pensamento. Há três características centrais na filosofia de Heidegger: o método fenomenológico; o fundamento antropológico e a fundamentação da realidade pela via da existência. O método fenomenológico equivale a um esforço de clarificação da experiência, o que se dá por meio da crítica ao primado metafísico e pela conseqüente observação da realidade tal como ela se manifesta. Por fundamento antropológico compreenda-se a tese de que toda reflexão surge do homem e nele mesmo ...

Mais Weber: sua teoria da ação

O pensamento de Weber centra-se sobre duas noções: ação e ação social. Por ação (Handeln), deve-se entender “um comportamento humano (pouco importa que se trate de um ato exterior ou íntimo, de uma omissão ou de uma permissão), quando e tanto quanto o agente ou os agentes lhe atribuam um sentido subjetivo”. Já a ação social (soziales Handeln) seria uma ação “que, segundo o sentido visado (gemeinten Sinn) pelo agente ou agentes, se reporta ao comportamento de outrem, orientando-se por este a sua evolução”. À sociologia, enquanto “ciência da realidade” (“Wirklichkeits wissenschaft”), tem a tarefa de compreender interpretativamente a ação social e de explicá-la de uma maneira causal. Weber elabora, ainda, uma tipologia da ação social, observando que ela pode ser: 1) racional com referência a fins (zweckrational); 2) racional com referência a valores (wertrational); 3) afetiva , emotiva e 4) tradicional. Cada uma dessas formas de ação possui um fator determinante. A ação racional com refer...

Max WEBER

1854-1920. Jurista por formação, mas também historiador e economista, é um dos pais fundadores da sociologia. Epistemologicamente, defendeu e ilustrou uma “sociologia compreensiva” – “uma ciência que se propõe a compreender, por interpretação, a atividade social”. Pelo viés weberiano, acentua-se o senso que os indivíduos dão a sua ação, os valores que a guiam. Os esforços de Weber dão-se no sentido de elaborar uma tipologia dos determinantes da razão. Se uma “racionalidade instrumental” tem um lugar importante no comportamento social, ela está bem longe de constituir seu único determinante: há também uma ação tradicional (por costume incorporado à prática social), uma ação afetiva (dominada pelos sentimentos) e uma ação racional em valor (orientada por fins últimos, por valores superiores). Seguindo esse modelo, Weber passa a falar “tipos ideais” como categoria analítica que lhe permite observar a forma social tomada pelos valores de um determinado grupo social em uma determinada época...

Edmund HUSSERL

1859-1938. Nascido em Prossnitz, na Alemanha. Foi professor de filosofia nas universidades de Göttingen e de Friburgo até sua aposentadoria, no ano de 1929. É o fundador da escola fenomenológica, o último grande sistema filofósico ocidental. A fenomenologia estuda a vida enquanto fenômeno, ou seja, o objeto ou a ação tal como eles se manifestam em sua realidade efetiva. O método fenomenológico centra-se sobre dois momentos principais: o momento negativo e o momento positivo. O primeiro deles, denominado por Husserl “epoché” – ou, também, redução fenomenológica” – isola o objeto (o fenômeno) de tudo aquilo que lhe não é próprio, de modo a revelá-lo na sua “pureza”. Em seguida, vem o momento “positivo”, no qual o olhar da inteligência volta-se para esse objeto/fenômeno isolado e nele imerge. Husserl herda de Kant a noção de transcendência, chegando mesmo a definir a fenomenologia como um “idealismo transcendental”. Porém, enquanto Kant percebe essas estruturas como condições de possibili...

Nota sobre a natureza deste blog

Os posts deste blog devem ser lidos como sugestões, desvelamentos, clarificações para os pesquisadores do Laboratório, e não como pensamentos acabados ou matérias completas. Assim, se aparece um post sobre um determinado autor ou tema, ele não tem pretensão, sequer, de resumir uma ficha bio-bibliográfica ou esgotar um assunto. Mantemos o espírito dos blogs, produzindo fragmentos e reproduzindo idéias, sem a preocupação com a conexão entre elas – tarefa que cabe aos leitores, segundo o desenvolvimento de seus interesses.

As perspectivas teóricas do Laboratório

A perspectiva metodológica adotada pelo Laboratório tem seu referencial teórico mais imediato no pensamento de Alfred Schütz, que procurou promover uma fusão de horizontes entre a filosofia e a sociologia – mais especificamente entre a filosofia fenomenológica desenvolvida por Edmund Husserl e a sociologia compreensiva desenvolvida por Max Weber. Dessa maneira, Husserl e Weber constituem marcos teóricos igualmente referenciais para nossas pesquisas. Junto a eles irmanam-se outros autores que adotaram perspectivas fenomenológicas e compreensivas na sua leitura do mundo social, notadamente Martin Heidegger, que fundamenta um dos pontos reflexivos estruturantes de nosso trabalho, qual seja, a crítica à razão metafísica. Dentre esses diversos autores, a maioria dos quais recentes e producentes, referimos também, constantemente, as obras de Jacques Derrida, Serge Moscovici e Michel Maffesoli. O primeiro deles, ntadamente, por meio de sua contribuição à desconstrução da metafísica ocidental....

O que é o LabSo?

O que é o Laboratório? O Laboratório de Sociomorfologia é um espaço de pesquisa criado em fevereiro de 2004 pelo Prof. Fábio Castro, do Dpto. de Comunicação da UFPa, voltado para o estudo de processos de “identificação social”. Com esse objetivo, ele pretende abrigar projetos de pesquisa e desenvolver atividades acadêmicas diversas, tais como a orientação e o treino de alunos para a investigação científica, a publicação de resultados de pesquisa e atividades de difusão do saber, como cursos e seminários. Como funciona o Laboratório? O Laboratório vai agregar projetos diferentes de pesquisa. Está aberto a todos os professores pesquisadores, da UFPa ou de outras instituições, que desejem trabalhar cooperativamente em torno do estudo das “identificações sociais”. Assim, a pesquisa é a atividade prioritária do Laboratório. A partir dela, geram-se as demais atividades: orientações, cursos, seminários, publicações. Quais as pesquisas são desenvolvidas no Laboratório? Em março de 2004 começou...

Ranking das universidades

Harvard está novamente à frente no ranking de 500 universidades compilada pela universidade de Jiao Tong de Shanghai_ nos 20 primeiros lugares, todas exceto 3 (cambridge, oxford e toquio) são dos estados unidos - o ranking é baseado em várias medidas de desempenho na investigação e na qualidade econômica, incluindo as citações acadêmicas_ -essas técnicas estão distorcidas contra as universidades que apostam mais nas humanidades e ciências sociais. da edição impressa da revista "The Economist" de 2 de setembro de 2004 o ranking completo está em: http://ed.sjtu.edu.cn/ranking.htm

DemocRATS

A Science et Vie de Setembro está interessante, fala de como somos enganados pelo nosso cérebro. Inclui um daqueles testes onde vemos linhas direitas todas tortas ou onde nos apercebemos das partidas que o nosso cérebro nos prega ao lermos um curto texto. Mais intrigante é a seção onde se discute a utilização deste conhecimento por campanhas de publicidade. Há mesmo uma nova técnica, o neuromarketing, que utiliza a imagiologia cerebral como ferramenta para descobrir formas de manipular os nossos comportamentos impulsivos, contornando a nossa racionalidade “desmancha-prazeres”. Nessa seção surge como exemplo a utilização de publicidade subliminar (que é proibida) na campanha de Bush para as presidenciais de 2000 (é notável a panóplia de truques baixos deste senhor). Aparentemente, procurava-se com o anúncio que o espectador associasse, de forma inconsciente, a palavra "RATS" (literalmente "ratazanas", mas também vira-casacas, renegado, traidor) a Gore e aos democRATS...

A captrística

Há duas grandes obras antigas que discorrem sobre a ?tica, a "Optica" de Euclides (s?c. II a.c.) e a "Optica" de Ptolomeu (s?c. II d.c.). Nenhum desses dois autores coloca a ótica como uma ação passiva, ou seja, como recepção. Ambos falam no olhar como algo ativo : a luz é apenas um estímulo. O que se vê é uma produção espectral que organiza o visível. Durante dois mil anos, de Platão até o século XVII, se vai pensar que a visão é um raio visual emitido pelo olho. Não se concebia que o raio luminoso fosse emitido pelo próprio objeto, ou seja, que tivesse uma existência física exterior ao olhar. Há, nesse pensamento, uma circularidade inerente. E a circularidade entre o visto e o visível, num sistema de causalidade analógica. Ou seja, numa situação de reversibilidade. São Paulo, a propósito, nos diz que o que est? vivo ? se define por sua visibilidade ? (hé zoè inèto ehôs). Segundo Panofsky, na antiguidade, ? la totalité du monde demeure une réalité essentiellement ...

A metafísica imagética na filosofia antiga

A metafísica de Platão separa o ser da aparência. Corresponderia o ser a uma essencialidade sua, profunda e superior, que lhe constitui todo o fundamento. A uma essencialidade presente no mundo superior da idéias. A essência do ser (eidos) teria por oposição a imagem do ser (êidolon), por sua vez correspondente à aparência que tem o mundo das idéias no mundo empobrecido da vida. Essa metafísica penetra tão profundamente na cultura ocidental que faz com que toda imagem e toda cópia sejam postas sob suspeita. Suspeita de seu caráter duplo, recorrente. De sua condição mimética, ou seja, do fato de constituir-se como cópia. Essa suspeição gera um dos fenômenos estruturais da nossa sociedade ? que se desdobra em muitos processos da vida cotidiana : formas de preconceito, maneira como são tratados e considerados os artistas e a arte e, num plano mais subjetivo, como certas estratégias culturais ? formas de tratamento, visões de mundo, processos políticos, etc. ? são colocados na vida cotidia...