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Informação

As consultas a este blog multiplicaram nos últimos dias - apesar de o último post ser datado de 15 de março. Isto é engraçado e ao mesmo tempo dramático! Devendo-se o fato, naturalmente, à minha nomeação para responder pela CCS, no âmbito do goveno, sinto obrigação de, mais uma vez, explicar que, neste blog, não se encontrará nenhuma referência ao meu trabalho como colaborador do governo. Repito que se trata de um blog de apoio ao meu laboratório de pesquisa na UFPA, aos meus cursos e seminários. Não seria ético e nem possível agir de outra forma. Assim, não adianta procurar por aqui informações sobre a Comunicação do governo ou sobre a Câmara de Políticas Socioculturais. Lamento pelos que não compreenderão o - digamos assim - projeto editorial deste blog, mas aqui continuo a ser apenas o pesquisador. A propósito, recupero que, como acertado com o reitor da UFPA, professor Alex Fiuza de Melo, como os demais colegas que estão ajudando no governo do estado, continuo atuando na universida...

Informação

As consultas a este blog multiplicaram nos últimos dias - apesar de o último post ser datado de 15 de março. Isto é engraçado e ao mesmo tempo dramático! Devendo-se o fato, naturalmente, à minha nomeação para responder pela CCS, no âmbito do goveno, sinto obrigação de, mais uma vez, explicar que, neste blog, não se encontrará nenhuma referência ao meu trabalho como colaborador do governo. Repito que se trata de um blog de apoio ao meu laboratório de pesquisa na UFPA, aos meus cursos e seminários. Não seria ético e nem possível agir de outra forma. Assim, não adianta procurar por aqui informações sobre a Comunicação do governo ou sobre a Câmara de Políticas Socioculturais. Lamento pelos que não compreenderão o - digamos assim - projeto editorial deste blog, mas aqui continuo a ser apenas o pesquisador. A propósito, recupero que, como acertado com o reitor da UFPA, professor Alex Fiuza de Melo, como os demais colegas que estão ajudando no governo do estado, continuo atuando na universida...

Pos-colonialismo e hibridez cultural 3

Alguns elementos teóricos a acrescentar ao debate: em primeiro lugar, o pensamento de Jacques Derrida segundo o qual a identidade é um processo fantasmal e interminável. E também de Derrida a idéia de que a herança é uma coisa coisa construída: ou seja, a pessoa não herda, simplesmente, uma identidade, ela a reinventa. Quem recebe uma herança tria, valorza, se re-ativa por meio dela ou a nega. Outro elemento que gostariua de evocar é a noção de “literatura secundária”, desenvolvida por Franz Kafka. Tal seria a literatura feita por uma minoria étnica ou social numa língua maior. Por exemplo, a literatura argelina feita em francês. Ou a literatura hindu feita em inglês. Em terceiro e último lugar, gostaria de lançar um paradoxo que pode inspirar o debate sobre a questão: a idéia de que toda cultura é um ato de colonialismo. Falar em cultura é um ato de colonização. Dizer-se portador de uma cultura – ou, simplesmente, de cultura – mesmo na boca do mais infeliz colonizado, é um ato colonia...

Pos-colonialismo e hibridez cultural 2

O que disto resulta? A sugestão de que a literatura pós-colonial possui mecanismos de autocolonização perpétua. Colonizados que julgam que a identidade dos colonizadores é um ponto pacífico são colonizados-re-colonizados e auto-colonizados. Isto é um ponto a discutir. Como se sabe, a noção de hibridez é um instrumento precisos de toda literatura e de toda “crítica” pós-colonial e pós-moderna. Porém, podemos perguntar, que hibridez é essa? Efetivamente gostaria de transpor essa problemática para duas situações contíguas: a extrema passividade do audiovisual contemporâneo no que tange à sua autocolonização própria e perpétua, à sua falta de provocação, à sua lentidão, por um lado e, por outro lado, a extrema passividade da autocrítica identitária que os intelectuais de Belém fazem de sua condição cultural, situação essa que, no meu entender, acaba sendo o aposto de uma autocolonização e de uma re-colonização passiva e perpétua. Ora, nos dois casos vamos conviver com idéias sobre hibridez...

Pos-colonialismo e hibridez cultural

Malika Mokkedem, nascida em 1949 em Argel é uma escritora importante do cenário pós-colonial que, atualmente, conforma um setor central da cena literária global. Seu terceiro livro, intitulado “L’Interdite” aborda o tema da identidade pela via de uma curiosa metáfora: um transplante de rins. O receptor do órgão é um francês, a doadora uma argelina e o transplante ocorre na Argélia. A situação dá margem a uma reflexão angustiante, marcada pela construção de binômios como antiga-metrópole/colônia, colonizador/colonizado, homem/mulher, vida/morte, norte/sul, identidade/ausência-de. Em síntese, a identidade do francês é posta em questão. E aí está o interessante do livro: em toda a tradição da literatura pós-colonial, seja ela em língua francesa ou em língua inglesa, dificilmente os personagens europeus se questionam sobre sua identidade. O comum é que se confrontem com estrangeiros que, estes sim, se questionam sobre sua identidade. Os exemplos disso – e os que eu posso dar são em literat...

Seminário O audiovisual contemporâneo

Participei ontem de uma mesa redonda no seminário “O audiovisual contemporâneo”, organizado pelo Núcleo de Produção Audiovisual do IAP (Instituto de Artes do Pará). A mesa teve o título de “A linguagem híbrida do audiovisual contemporâneo e sua relação com os chamados gêneros”, foi presidida pelo Januário guedes e contou com a participação, ainda, dos colegas Luis Arnaldo Campos e Valzeli Sampaio. Como lá falei, é sempre muito proveitoso estar naquele auditório e conversar sobre audiovisual. Efetivamente, venho estando presente em diferentes eventos sobre o assunto, desde 2004, e vou tendo impressão de que cada nova participação dá continuidade à primeira. O post seguinte resume minha apresentação.

Seminário O audiovisual contemporâneo

Participei ontem de uma mesa redonda no seminário “O audiovisual contemporâneo”, organizado pelo Núcleo de Produção Audiovisual do IAP (Instituto de Artes do Pará). A mesa teve o título de “A linguagem híbrida do audiovisual contemporâneo e sua relação com os chamados gêneros”, foi presidida pelo Januário guedes e contou com a participação, ainda, dos colegas Luis Arnaldo Campos e Valzeli Sampaio. Como lá falei, é sempre muito proveitoso estar naquele auditório e conversar sobre audiovisual. Efetivamente, venho estando presente em diferentes eventos sobre o assunto, desde 2004, e vou tendo impressão de que cada nova participação dá continuidade à primeira. O post seguinte resume minha apresentação.

Blanchot e Lévinas

Se 2006 foi o ano de centenário do nascimento de Emmanuel Lévinas, 2007 o é de Maurice Blanchot. Os dois filósofos – este último também escritor – foram ligados por uma amizade profunda desde que se conheceram, ainda estudantes do primário. A influência foi mútua. A fenomenologia de Lévinas encontra eco em temas estranhos, trabalhados por Blanchot ao longo de toda a sua obra: a noite e o “neutro”, a escritura, a poética de “testemunho”, e a alteridade. Lévinas, nascido em 1906 e falecido em 1995, foi o introdutor da fenomenologia e de Husserl na França, além de importante comentador da obra de Heidegger. Blanchot foi um escritor e um filósofo original: como escritor, produziu uma obra insólita, marcada por questões fenomenológicas. Como filósofo, produziu uma obra bizarra – no bom sentido – na qual se acentuam discussões sobre coisas tais como, justamente, “a noite e o neutro”. A fundo, acho que a obra de Blanchot se deixou impregnar pela ética de Lévinas, centrada no princípio da resp...

Circulação de jornais no período 1999-2006

O site da WAN - World Association of Newspapers disponibiliza informação sobre tendências no uso da imprensa no mundo. Encontro nele índices curiosos sobre a diminuição média da tiragem de jornais no mundo. Países em que a tiragem média decresceu: Áustria -12.9 % Bélgica -5.5 Dinamarca -9.6 Finlândia -2.7 França -4.98 Alemanha -8.1 Grécia -8.0 Irlanda-3.8 Luxemburgo -7.12 Holanda -6.2 Portugal -16.76 Suécia -1.3 Reino Unido -3.4 Países em que a tiragem média subiu: Itália +0.1 Espanha +0.6 Mesmo em países com taxas de leitura relativamente elevadas, a tendência do último quinquênio foi no sentido da descida - caso dos países escandinavos e dos EUA.
La servante au grand cœur dont vous étiez jalouse, Et qui dort son sommeil sous une humble pelouse, Nous devrions pourtant lui porter quelques fleurs. Les morts, les pauvres morts, ont de grandes douleurs, Et quand Octobre souffle, émondeur des vieux arbres, Son vent mélancolique à l'entour de leurs marbres, Certe, ils doivent trouver les vivants bien ingrats, A dormir, comme ils font, chaudement dans leurs draps, Tandis que, dévorés de noires songeries, Sans compagnon de lit, sans bonnes causeries, Vieux squelettes gelés travaillés par le ver, Ils sentent s'égoutter les neiges de l'hiver Et le siècle couler, sans qu'amis ni famille Remplacent les lambeaux qui pendent à leur grille. Lorsque la bûche siffle et chante, si le soir, Calme, dans le fauteuil je la voyais s'asseoir, Si, par une nuit bleue et froide de décembre, Je la trouvais tapie en un coin de ma chambre, Grave, et venant du fond de son lit éternel Couver l'enfant grandi de son œil maternel, Que pour...

Harmonia chinesa

Um jornal de Hong Kong, chamado South China Mornig Port noticia que o governo chinês promulgou uma relação de 20 temas que não podem ser abordados nos jornais do país. Com o objetivo de promover um “atmosfera harminiosa na nação”. Quanto aos temas, o jornal informa que eles incluem a corrupção, a campanha anti-corrupção, ações em defesa dos direitos humanos, crimes sexuais amantes de dirigentes do Partido Comunista e o estilo aristocrático dos ricos recentes do país. Além disso, proibe-se também tratar da Revolução Cultural e da Campanha das Cem Flores, esta última um evento político de 1957 visando a repressão de intelectuais e por meio da qual se enviou 500 mil pessoas aos “campos de reeducação”. “Balzac e a costureirinha chinesa”, o livro – transformado em filme – menciona um desses campos de reeducação. Mas que o jornal o mencione tudo isso é uma hipótese, e não uma certeza. Isto porque a linguagem é cifrada, ao menos para mim, que não entendo esses textos rebuscados produzidos por...

Mulheres

A Universidade de Harvard, fundada em 1636, elegeu no mês passado a sua primeira reitora, Drew Gilpin Faust, 59 anos, historiadora. A dimensão histórica do fato, sem demérito, se equipara à magnitude do poder que lhe caberá: gerir a universidade mais importante do planeta, que tem 12 faculdades e um orçamento anual de 3 bilhões de dólares. E a dimensão simbólica do fato se vitaliza em função das declarações sexistas – e, portanto, polêmicas – do ex-reitor, Lawrence Summers, que, dentre outras, se saiu com uma história de que “as mulheres são menos aptas às matemáticas de que os homens”. Há alguns dias li, no El Pais digital, uma declaração interessante de Maria Teresa Fernandez de La Vega, a número 2 do governo espanhol desde 2004: Segundo ela, as mulheres possuem uma visão distinta da dos homens, e isso se dá pelo fato de que são melhor preparadas a dividir e a cohabitar, partilhar, resolver conflitos. Essa preparação resultaria da cultura da esfera privada, caracterizada pela sucessã...

Jornalismo e representações sociais

Encontrei um interessante editorial, no jornal americano The Sun Herald, intitulado “Journalism has its share of myths, too'”. Fala sobre as representações sociais do jornalismo e dos jornalistas, assinalando o fato básico que, penso, constitui o problema central de toda sociologia da mídia: o fato de que jornalistas não são, efetivamente, super heróis da realidade. O conhecimento deles é, também, um conhecimento mediado e midiatizado. Diz o editorial que as principais dessas representações são - Reporters are liberals. - Reporters are secular, even anti-religion. - The press tells only part of the story. - The press gets nothing right. - Reporters run in packs, are aggressive, intrusive and rude. - Journalists are underpaid. A conclusão do texto é brilhante e devia inspirar todo aluno de Comunicação: "The big picture is that it breaks my heart to know that many young people who would make great journalists won't even think about trying it because of erroneous harangues ab...

Avaliação Sociologia da cultura e da mídia

Em relação ao trabalho do curso Sociologia da cultura e da midia: Percebo, infelizmente, que nem todos receberam o mail que enviei, há cerca de uma semana, contendo o tema do trabalho de disciplina que constituirá vossa avaliação. Reproduzo-o aqui, com as seguintes novas instruções: Pede-se um comentário sobre o fragmento abaixo, a ser enviado por via digital até a proxima segunda-feira, dia 5 de março. O fragmento de texto a ser comentado: A representação é mais que um reflexo da realidade, ela é uma entidade organizadora dessa realidade, que rege as relações dos indivíduos com seu meio físico e social, determi-nando suas práticas. Além disso, ela orienta as ações e as interações sociais, pois determina um conjunto de antecipações e expectativas. Obrigado e ate breve, Fabio.

A sexualidade e o supérfluo na cultura contemporânea 3

Desse modo, poder-se-ia dizer que o tema do supérfluo, no ato amoroso contemporâneo, é um tema relacionado ao fetiche. Será preciso evocar Wittgenstein para colocar a questão. Segundo esse filósofo, o desejo é uma coisa que não tem suas razões. Ele não tem, senão, suas causas. Assim é o fetiche e toda a superflibilidade da cultura sexual contemporânea: ele não tem senão causas. Wittgenstein, no Tractatus logico philosophicus, aliás, observa que "Ce qui est mystique ce n'est pas comment est le monde, mais le fait qu'il est.".

A sexualidade e o supérfluo na cultura contemporânea 2

Ocorre que o tema do amor é tradicionalmente descrito como um mal – apesar de sua cantada simplicidade. Não chegaremos, metafísicos que somos, jamais, a Shakespeare, para quem o amor tem, sempre, um frescor juvenil de maneira alguma dramático – não obstante seu entorno se constituir, eventualmente, como uma situação problemática. Não chegaremos. Nossa metafísica decorre desse pensamento grego fundador, no qual o amor é um delírio, um tremor, um luxo. Dizendo de outra maneira, algo supérfluo. A receita do latino Lucrécio para curar os males do amor é bem conhecida: sangrar a úlcera amorosa, por dolorido que seja. Daí sua recomendação em procurar os cuidados de uma “Vênus vagabunda” para o fazer. Por tal entenda-se uma prostituto, é lógico. Ali, desde sempre, se encontrou o acosto do supérfluo na sua mais pura face. A máscara calçada pela prostituta é, toda ela, uma máscara supérflua, feita por atos, posturas, práticas, maquiagens e vestimentas que transpassam a normalidade humana. Ora, ...

A sexualidade e o supérfluo na cultura contemporânea 1

O tema da sexualidade, na cultura contemporânea, articula-se ao tema do supérfluo. A sexualidade descreve-se como supérflua porque o desejo é moralmente codificado como supérfluo. Obviamente que o tema não é recente. Uma metafísica do desejo como algo supérfluo pode ser encontrada na ontologia platônica. No Banquete, propriamente, talvez por meio de uma contaminação epicuriana, pela qual se sugere que o prazer das belas coisas se conforma como um prazer sensual, um prazer dos grandes espíritos. Por meio de uma empatia. Os gregos chamavam o desejo de pathos erotikon. A respeito dele, Epicuro sugeriu que a única forma de fugir à tentação do desejo é suprimir a visão do objeto desejado. O que é curioso. Porque o conforma como um plus à vida quotidiana. A bem da verdade, essa moral do supérfluo se deve a Epicuro, que fez tantas diferenças entre prazeres puros e impuros, que condenou “a alegria de rapazes e moças”, e que descreveu a fome, e não o amor, como “o grito da carne”. Muito bem par...

Desejo é vontade

Vontade, do Lat. voluntate s. f., potência ou faculdade interior, em virtude da qual o homem se determina a fazer ou não fazer alguma coisa; espontaneidade; intenção; ânimo; domínio; desejo; necessidade; desígnio; talante; capricho; ant., persuasão íntima; convicção; (no pl. ) móveis ou alfaias. à -: sem constrangimento (cf. à-vontade); loc. interj., designativa da ordem dada às tropas a seguir à ordem de descansar; andar com - a (alguém): desejar vingar-se (de alguém); o m. q. ter vontade a; ter - a (alguém):vd. andar com vontade a; pôr em sua -: planear; decidir.

O tema do Desejo em Octavio Paz

"O amor translada ao corpo os atributos da alma e esta cessa de ser uma prisão. (...) O amor mistura a terra ao céu: é a grande subversão. Toda vez que o amante diz: "eu te amo para sempre", ele transfere a uma criatura efêmera e cambiante dois atributos divinos: a imortalidade e a imutabilidade. A contradição é, na verdade, trágica: nossa carne se corrompe, nossos dias estão contados. Somos filhos do tempo e ninguém escapa da morte. Contudo, amamos, com o corpo e com a alma, de corpo e alma. (...) Mas o amor é a resposta que o homem encontrou para olhar de frente a morte. Pelo amor roubamos ao tempo, que nos mata, instantes que ora transformamos em paraíso, ora em inferno. Para além da felicidade ou da infelicidade, o amor é, sobretudo, intensidade. Ele não nos presenteia com a eternidade, mas com a vivacidade; o momento durante o qual se entreabrem as portas do tempo e do espaço. No amor tudo é dois, e tudo aspira a ser um" (Octavio Paz).

Desejo, solidão... II

Porém, que será a representação, no horizonte de uma humanidade que se rehumaniza? “[A representação] será duplicada, limitada, guarnecida, mistificada talvez, regida, em todo caso, do exterior, pelo enorme impulso de uma liberdade, ou de um desejo, ou de uma vontade que se apresentarão como o reverso metafísico da consciência. Alguma coisa como um querer ou uma força vai surgir na experiência moderna - constituindo-a talvez, assinalando, em todo caso, que a idade clássica acaba de terminar e com ela o reino do discurso representativo, a dinastia de uma representação significando-se a si mesma e enunciando, na seqüência de suas palavras, a ordem adormecida das coisas”. Isto dito, não se deve esquecer que, segundo Foucault, o fim da Idade Clássica e do primado da representação é o fim também da possibilidade de que a representação seja representada por uma outra representação. Desse momento em diante, a ordem do mundo e das coisas não mais consistirá de uma reduplicação da representação...