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Lançamento de As Identificações Amazônicas

Esta semana entra em circulação meu novo livro, AS IDENTIFICAÇÕES AMAZÔNICAS. Lançado pela editoria do Naea, o Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da UFPA, o livro reúne 8 capítulos que exploram diferentes perspectivas da questão identitária no espaço amazônico. Os artigos dialogam com processos intersubjetivos de construção de sentidos identitários e com sutis questionamentos sobre as percepções hegemônicas da identidade. Partindo da compreensão de que muitas e variadas são as Amazônias, à despeito da sua representação dominante como “região”, como espaço coerente de identidade, busca-se pensar as identidades sociais como processos de bricolagem, identificações sempre em curso, em contínua invenção e reinvenção. O livro está disponível na Amazon, em versão e-book. Em versão impressa, somente sob encomenda, enquanto durar a pandemia. Mais informações no meu site: fabiofonsecadecastro.org ou pelo email sisamazonia@gmail.com. No site há outros conteúdos informando sobre o l...

Belém como metrópole cultural e criativa da Amazônia

Debatendo o tema « Belém como metrópole cultural e criativa da Amazônia : Quais são as condições e possibilidade para que isso aconteça ? ». HOJE, às 11h, no Projeto Circular, pelo link https://youtu.be/UX9j4cezPaM

Sobre o banimento da música instrumental da Rádio Cultura

Corre rapidamente a notícia de que a Rádio Cultura baniu a música instrumental de sua programação diária, relegando-a a programas especiais. Gostaria de dizer que me uno ao coro dos descontentes com essa decisão.   Como bem disse o Delcley Machado, a música instrumental tem uma história e uma energia forte em Belém. Tem uma tradição de qualidade e de envolvimento de públicos. Desde os anos 1920, quando iniciou a febre dos “bailes de clube” com as diversas orquestras que atuavam na cidade - dentre as quais as dos maestros Guiães de Barros, Oliveira da Paz e Marcos Drago, dentre outros, passando pelo grande maestro Alberto Mota, já nas décadas de 1940 a 60 - Belém tem um envolvimento profundo com o instrumental. Tudo isso produziu heranças valiosas. No final dos anos 1960 e começo dos 70, o grupo Sol do Meio Dia - com o baixo de Minni Paulo, Odorico na guitarra, Zé Macedo na percussão e o baterista Magro, se formou na juventude católica de Belém, com apoio do fabuloso padre Raul e su...

Ainda sobre a Covid e a UFPA: corrigindo um erro e recuperando o debate que merece ser feito

A respeito do tema do planejamento da UFPA em relação ao ano de 2021 e ao retorno possível às atividades presenciais - tema que discuti em publicação anterior - gostaria de fazer uma correção e algumas observações. A correção diz respeito ao que afirmei sobre falha na tramitação interna do debate. Tomei por base, para afirmá-lo, o fato de que, na condição de representante docente junto à Congregação de minha unidade na instituição, o ILC, não havia recebido a minuta e os documentos que tratavam da matéria. De fato não os recebi, mas pela razão de que meu endereço email havia, por erro, sido excluído do mailling da Congregação. Essa situação foi esclarecida pelo ILC, o erro corrigido e, de minha parte, retiro minha consideração e peço desculpas pelo equívoco. Isto dito, sigo em direção às considerações: O texto produziu um debate interessante circulando em listas da UFPA, mas cabe dizer que esse debate elegeu um centro que, na verdade, é secundário: ou seja, desloca o debate dos verdade...

Covid: Repentina mudança de rumo na UFPA provoca crise institucional

A comunidade da UFPA foi recentemente surpreendida com uma proposta da reitoria de retorno às aulas presenciais associada à multiplicação punitiva da carga horária de trabalho e de estudos e à adoção de uma "política de bandeiras" - não pouco famosa e aclamada em redutos negacionistas. De meu ponto de vista, tenho a dizer o seguinte: 1) Sou radicalmente contra qualquer proposta que sugira o retorno das atividades presenciais antes que a população brasileira tenha sido vacinada e que o risco de contaminação da Covid-19 tenha sido dirimido. Inclusive, acho que temos, como cientistas, a responsabilidade social e política (grande ilusão achar que cientistas não têm responsabilidade política…) de transmitir à sociedade uma mensagem politica clara quanto a isso: retorno ao presencial só com a população brasileira vacina. 2) Estou me sentindo PROFUNDAMENTE desrespeitado por essa proposta. E isso por 2 razões:  A proposta, em si mesma, ao impor 3 semestres a serem realizados em um ún...

Mesa redonda Políticas Culturais, Democracia e Inclusão Social

A mesa reune três pesquisadores importantes do campo das políticas culturais no Brasil - Lia Calabre (Fundação Casa de Rui Barbosa), Alexandre Barbalho (Universidade do Estado do Ceará) e Luiz Augusto Rodrigues (Universidade Federal Fluminense) e ocorre no Seminário online Desenvolvimento, (In)Sustentabilidade e Sociobiodiversidade, no Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA) da UFPA. Inscrições gratuitas no site congresse-me/eventos/sedeins, dia 08/12/2020, de 16h às 18h.

Sobre Giscard d’Estaing

A Covid acabou de levar, também, Valéry Giscard d’Estaing, presidente da França entre 1974 e 1981. A primeira história que escrevi na vida, creio que em 1976, aos 8 anos, narrava os diálogos entre um galo, chamado Pierre Cocovan, e ele. Infelizmente perdi o manuscrito... mas guardo de memória as gargalhadas de meu tio Arcelino Esperante, que a adorou – contra as expectativas de meu avô José, que esperava que eu escrevesse um conto de capa e espada e de meu pai, que desejava que eu escrevesse uma poesia de denso lirismo.  Mas voltemos a Giscard d’Estaing. Era um sujeito curioso: liberal e reformista, conservador mas pertencente a um tempo onde a direita ainda conseguia produzir gente responsável, comprometida com a melhoria da qualidade de vida da pessoas e com a justiça social.  Além disso, foi um internacionalista, um dos agentes centrais da construção da União Europeia. Oriundo da alta burguesia e da École Nationale d’Administration, o ENA, instituto francês de excelência na...

Recordação de Eduardo Lourenço, mais um grande que partiu

Faleceu em Lisboa, hoje, aos 97 anos, o ensaísta Eduardo Lourenço.  Lourenço formou-se pela Universidade de Coimbra e publicou o  primeiro livro,   Heterodoxias , em 1949.   Estudou em seguida na Universidade de Bordeaux e atuou nas universidades de Hamburgo, Heidelberg e Montpellier. Em 1960 radicou-se na França, sendo professor da Universidade de Nice até 1988. Aposentado, atuou como adido cultural da embaixada portuguesa em Roma e, posteriormente, a partir de 2013, estabeleceu-se em Lisboa. É autor de um dos livros mais importantes da língua portuguesa,  O Labirinto da saudade, de  1978, mas deixou uma obra imensa, composta por, dentre muitos outros,  Fernando Pessoa Revisitado  (1973),   Tempo e Poesia  (1974),   Poesia e metafísica  (1983),   As Saias de Elvira  (2006) e   Do Colonialismo como nosso impensado  (2014).  Recebeu diversos prêmios, inclusive o  D. Dinis, em 1995, o Camões, em...

Desafios fundadores do governo Edmilson Rodrigues em Belém

Vencemos! Ótimo, mas, sem tempo a perder, vamos trabalhar. O que tenho a dizer é o seguinte:  Vai ser difícil! O governo Edmilson será a única prefeitura de capital realmente progressista no país. Estará na linha de frente, inclusive das grandes batalhas progressistas nacionais. Primeiramente, é preciso ter consciência dessa condição histórica: Edmilson e Edilson não governarão apenas Belém, mas para o Brasil e, em particular, para as esquerdas. O que fizerem, bem como seu modelo de aliança – o da frente única de esquerda – será o grande laboratório para a derrota do bolsonarismo e do início da reversão do quadro de conservadorismo que arrebatou a sociedade brasileira. Essa responsabilidade é imensa e, como Lula dizia, “não temos o direito de errar”, ou seja, é preciso articulação e perfeito controle dos processos internos. Seria mais fácil se São Paulo, Porto Alegre e Recife tivessem nos acompanhado, mas não... estamos sós. E muito depende de nós. A linha política de ação e de art...

Belém e Recife: duas batalhas políticas que antecipam 2022

Meu artigo na Carta Maior: Belém e Recife: Batalhas políticas que antecipam 2022. https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Eleicoes/Belem-e-Recife-duas-batalhas-politicas-que-antecipam-2022/60/49377

Mais um acervo cultural que foge do Brasil para sobreviver

Soube recentemente que o acervo de obras e projeto de Paulo Mendes da Rocha um dos mais importantes arquitetos brasileiros, será deslocado para arquivos portugueses – precisamente para a Casa da Arquitectura, uma instituição respeitável que faz pela memória de seu país – e do nosso – aquilo que já não podemos mais fazer: guardar a memória com dignidade e protege-la da barbárie destrutiva do governo Bolsonaro.  O acervo de Paulo Mendes da Rocha é composto por projetos, plantas, rabiscos, desenhos, maquetes e fotografias. Constitui um painel da arquitetura brasileira e se sua influência no mundo. Rocha recebeu prêmios importantes, o Pritzker e o prêmio da Bienal de Veneza, dentre outros. É  justo dizer que a política cultural de preservação de acervos e da memória, em geral, sempre foi precária no Brasil, mas é igualmente justo e necessário dizer que os tempos atuais, desde do Golpe de 2016 até a época de Bolsonaro, são sem precedentes.  A migração do acervo foi uma decisã...

Maradona não se omitiu quando Lula foi preso: “Estão tentando lhe roubar a presidência, meu amigo”

  Via  Joaquim de Carvalho , no DCM.  

Nobel 2020 de literatura - observação geopolítica

O Nobel de literatura deste ano coube à norte-americana de ascendência judaico-húngara Louise Glück. Aos 77 anos, a poeta, ensaísta e professora da Universidade de Yale, tem uma trajetória de premiações importantes: Pulitzer, Bollingen, PEN, Lannan, National Book Critics Circle Award, Academia Americana de Poetas e a Medalha Nacional de Humanidades. Não a conhecia e não a li, mas como gosto visceralmente de literatura, fui procurar saber de quem se tratava. Glück iniciou sua carreira em 1968 e foi aclamada com The Triumph of Achilles, de 1985. Outra obra importante é Averno, de 2006.  Na geopolítica do Nobel – sim, geopolítica, pois nem sempre a literatura é o fator preponderante na atribuição no Nobel de Literatura – é a 13o premiação de um autor norte-americano, contra 15 franceses, 12 britânicos, 8 suecos e 8 alemães.  O prêmio é mais conhecido pelos que não o receberam do que pelos que o receberam, pois ignorou obras como as Leon Tolstoi, Marcel Proust, Virginia Wool...

O Sisa apoia #Ed50 para prefeito de Belém

 

Música, temporalidade e emoção nos bailes da saudade de Belém

Para quem se interessar pelo tema, segue aqui o link para meu artigo "Música, temporalidade e emoção nos bailes da saudade de Belém"; que acabou de ser publicado na Revista Brasileira de Sociologia da Emoção: https://grem-grei.org/numero-atual-rbse/ Resumo: O trabalho apresenta os resultados de uma etnografia realizada nos “bailes da saudade” de Belém, Pará, e busca discutir os artifícios e dispositivos de produção da temporalidade na cultura urbana dessa cidade. No horizonte dessa perspectiva, tenta-se compreender a relação entre música, temporalidade e emoção utilizando as reflexões de Heidegger (2012) sobre a temporalidade quotidiana, Derrida (1972; 1994) sobre a questão da “metafísica da presença” Schütz (1967; 2012), sobre os processos intersubjetivos que compõem a cultura. Palavras-chave: bailes da saudade, festa; saudade, temporalidade, emoção

Mais um feminicídio

Profundamente triste, chocado, indignado. Mais uma vítima de feminicídio, nesta sociedade machista, bolsonarista, estúpida e pesada de ódio. A mesma sociedade que se organiza para eleger um delegado ignorante e sem nenhuma proposta viável prefeito de Belém. A companheira Leila Arruda, candidata do PT à Prefeitura de Curralinho, no Marajó, foi brutalmente assassinada pelo ex-marido, no bairro do Tenoné, em Belém. Precisamos acabar com esse ciclo de violência, com essa sociedade de ódio, com esse vício de preconceito. Leila sempre presente! Grato pelo esforço imprescindível e pela coragem, e espero que a justiça seja feita, pela tua e pela nossa dignidade.

O nome do poder

Já se tem o nome do Chief of Staff de Joe Biden: Ron Klain, 59 anos, ex- senador, advogado formado por Harvard. Figura conhecida dos corredores da W.H., posto que foi chefe de gabinete de dois ex-vice-presidentes, Al Gore e do próprio Joe Biden. Além disso, atuou, por nomeação direta de Barak Obama, na consolidação de um plano estratégico de contenção do vírus Ébola nos Estados Unidos.  Na escolha, pesa a longa amizade entre Biden e Klein e a notória posição pública de Klein contra a maneira como Trump tem tratado a pandemia Covid-19. Chief os Staff é o cargo mais importante da democracia norte-americana, abaixo do de presidente. É mais importante que ser vice, que ser secretário de Estado e secretário de Defesa, apesar de ser muito menos mediatizado do que todos esses postos.  Para quem quiser entender melhor sugiro ver a belíssima série The West Wing e, particularmente, o filme Recount (2008), de Jay Roach, a respeito das eleições presidenciais de 2000, que inspirado n...

Alguns comentários sobre o 2o turno de Belém

Os resultados gerais das eleições de 2020 – e que comentei em posts anteriores – sugerem a tendência de que a onda conservadora que marcou estas eleições prossiga em direção às eleições de 2022. Por isso, mesmo, é uma tendência que tende a nortear as táticas do jogo político em todo o espectro partidário, produzindo adesões e polarizações.  Em Belém, o notável crescimento do delegado Eguchi surpreendeu a todos e resulta de forte mobilização evangélica.  Belém vai ter uma disputa ideologicamente polarizada entre bolsonaristas e democratas, fortemente agenciada pelo voto evangélico. Mas é preciso dizer que é de tal modo absurdo e rasteiro o programa político do delegado Eguchi, bem como as entrevistas que está concedendo, que a polarização verdadeira que está ocorrendo não é entre bolsonaristas e progressistas, mas, basicamente, entre bolsonaristas e democratas.  Com isso quero dizer que penso que Edmilson Rodrigues tem mais chances se conseguir se projetar como democrata, ...

Um cão é isto de sermos gente. Uma nota sobre Cruzeiro Seixas

Faleceu em Lisboa, no último 8 de novembro, aos 99 anos e 11 meses, o pintor e poeta Cruzeiro Seixas - Artur Manuel Rodrigues do Cruzeiro Seixas -, figura destacada do movimento surrealista português. Foi talvez o principal animador das épicas tertúlias do Café Hermínius, núcleo do surrealismo em Portugal.  Primeiramente pintor, fez sua primeira exposição em 1949 seguiu uma carreira nas artes visuais que foi propulsionada a partir de 1967, com bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, emendada numa importante ação como cenógrafo de balés mundo afora.  Em paralelo, tornou-se um (bom) poeta. Sua obra está reunida em quatro tomos (o quarto por sair) intitulados Obra Poética.  Conheci-o, primeiramente, por ilustrador da Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, organizada por Natália Correia em 1966 e que encontrei na Biblioteca da Universidade de Brasília quando lá fazia meu mestrado. Depois, li sua poesia. Cruzeiro Seixas deixou toda a sua coleção, já em 1999, para o ...

Alguns comentários sobre os resultados das eleições no Pará

Seguem alguns comentários sobre a conjuntura política paraense, após o 1o turno: 1. Primeiramente é preciso considerar que o espectro político no Pará, atualmente, é mais rude que o brasileiro, tem menos nuances:   • a extrema direita se funde à direita liberal tradicional;   • partidos que nacionalmente estariam no campo progressista se brutalizam e transformam-se em legendas capturadas pela direita e   • setores do campo da esquerda aderem a projetos políticos tradicionais e conservadores numa dinâmica de oportunismo eleitoral.  1.1 Nesse sentido, conceitos como centro-direita e centro-esquerda são, na vivência política do Pará, na conjuntura, apenas elementos retóricos que não merecem ser considerados.   • A direita inclui o “centro”.   • O centro-esquerda - que no Brasil vira centro - no Pará se torna direita.   • E a esquerda assim resta, com ambiguidades e nuances, agenciada ora por nuances ideológicas, ora por compr...